Eles são rápidos como uma Ferrari.
Fazem tudo ao mesmo tempo, mas dirigem carro mil. Afinal, são jovens. Muito jovens.
Ainda que não estejam nas pistas, a velocidade deles é sempre o máximo, tal como o máximo que o ponteiro de um desses esportivos italianos consegue alcançar. Estão conectados até onde não há conexão. Sem fios. Simplesmente porque eles não se enrolam com nada. Nem com ninguém.
Vivem em ação e sabem tudo o que a tecnologia vai inventar, ainda que nem mesmo os tecnólogos de plantão tenham planejado.
Não só sabem o que virá como já estão na fila de espera pra comprar esse novo troço, que além de interligar quase tudo, também pode trocar o pneu do seu Ferrari, que não fura e eles não têm. Ainda.
Esses jovens são filhos de pais que nasceram de pais que viveram a guerra. E, talvez por isso, ou exatamente por isso, superprotegeram os seus filhos, dando tudo de melhor e fermentando a auto-estima. Em muitos casos, ou na maioria deles, esses jovens são feras. Quase Ferraris. Cresceram prontos para questionar o inquestionável e viver o invivível - deliberadamente.
Começam a trabalhar cedo. Não exatamente naquele empreguinho que o pai se sujeitou há anos, engolindo sapo, mas se divertindo com revistas de carros esportivos como a Ferrari que ele nunca terá. Na vida. Já os filhos desses senhores complacentes e dedicados arrumam, de cara, um emprego melhor. Não se sujeitam às tarefas subalternas de início de carreira, lutam (e conseguem) salários ambiciosos. Nem que para isso tenham que mudar de emprego trocentas vezes, o que, na prática, ajuda a aposentar precocemente aquele carro. Digo, mil.
A relação da moçada jovem com a vida é outra. Diferentemente da assustadora subserviência dos pais, eles não se assustam com nada. Não só falam como escrevem divinamente em inglês – não raro, até melhor do português que, na pressa eletrônica, já reinventaram. Kkkkkkkk, com menos sortimento de letras, é o ahahahahaha de outros tempos. Além de abreviar tudo, trocam longas palavras da língua de Camões por sinônimos mais econômicos – em inglês, claro. Reduzem tudo com toda a sorte de carinhas criativamente produzidas com ponto, vírgulas e colchetes. Colchetes? É eu sou antiga ; -)
Essa geração rapidinha, nervosinha e sem temores fez do Google (que ela tabém criou) um verbo que se conjuga até mesmo no pretérito mais que perfeito. E das redes sociais o diário de uma vida escancaradamente conectada. Essa geraçao ficou conhecida com geraçao Y, porque sucedeu a geração Z. Letra que, cá entre nós, vem depois Y. Vai entender.
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