Ele acha que eu estou doída. Mas o que eu estou mesmo é doida. Sou.
Sou doida e me dói quando ninguém entende a diferença entre doida e doída. A palavra é a mesma - concordo. Muda de sentido quando se escolhe o que pousa sobre o i. Me acompanhe.
Ele prefere o agudo. Eu, o pontinho. Que de ponto, mesmo, nada tem. O agudo que flana sobre o i que ele prefere, mas não escolho, indica a dor sublime que eu não senti e que, mesmo assim, perdi. Por ser doida. Não doída. Porque sofrer de uma dor que não se tem, mas se imagina, dói mais. Dói pensar que não fiquei com olhos vazios e que, quando se enchiam de algo, eram lágrimas que não chorei. Engoli.
Dói não poder catapultar sobre o sofrimento. Não poder buscar um afago na parede fiel que está ali, só pra me escorar. Ela sim sentiu dor, quando o prego furou a sua alma pra preencher o olhar de alguém com um quadro cheio nada, já que o olhar está vazio. É uma parede dolorida, mas que serve para estancar o prego e a dor que eu não sinto. Não sou doída. Sou doida.
O pontinho pendulante sobre o i que eu prefiro, e não deixo que ele escolha, me desescravisa da dor que ele pensa que eu sinto. Eu não sinto nada. Nem a dor do prego que machucou a parede, mas não me acertou. Doidos não sentem dor de ficar doídos. Doidos sentem dor quando perdem o eixo da doideira. Aí dói. Assim, de ficar doída. E convalescer agudamente – fazendo justiça ao que se escolhe para por sobre o i.
Como prefiro o pontinho ao agudo, não esmoreço. Mas endoido. Porque o que eu gosto mesmo é do que significa os pontinhos que eu posso alinhar livremente, assim ...
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